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Filarmônicas da Bahia voltam a se apresentar sob o céu do Dois de Julho

Música - 28/06/2022
Filarmônicas da Bahia voltam a se apresentar  sob o céu do Dois de Julho Minerva Cachoeirana no 2 de Julho de 2014 - Foto: Toni Caldas
Encontro acontece a partir das 18h no Campo Grande

 

Todos os anos o sol nasce diferente na Bahia no dia dois de julho. Nossa data magna nos lembra o quanto somos guerreiros. Em 2022 temos mais uma vez esta certeza, depois de dois anos de resistência e batalhas contra a pandemia. E para celebrar em toda glória este ano as filarmônicas da Bahia voltam a fazer seu encontro em Salvador sob o céu do dois de julho, com o 31º Encontro de Filarmônicas no 2 de julho, que será realizado no dia 2 de julho, no Campo Grande, a partir das 18 horas, com entrada franca.

O 31º Encontro de Filarmônicas no 2 de julho será aberto pela Banda da 6ª Região Militar, que tocará o “Hino ao 2 de julho” e em seguida o dobrado "100 anos do Batalhão Pirajá", composto por Fred Dantas em 2020. Se apresentarão na sequência as filarmônicas Sociedade Filarmônica Minerva, de Morro do Chapéu, Lyra Santamarense, de Jiribatuba, Vera Cruz, Ilha de Itaparica e Sociedade Filarmônica 8 de Dezembro, de Nova Soure irão tocar dobrados e encerrarão suas apresentações com arranjos de música popular.

No show de encerramento a Oficina de Frevos e Dobrados vai apresentar o resultado da recente restauração do dobrado “O Navio Negreiro”, do mestre cachoeirano Tranquillino Bastos e a polaca “Maria Almeida”, com solo do trompetista Joatan Nascimento. A soprano Irma Ferreira vai homenagear a figura do Caboclo e a axé music baiana interpretando vários arranjos para voz e banda filarmônica sem uso de instrumentos elétricos. O 31º Encontro de Filarmônicas no 2 de julho é promovido pela Fundação Gregório de Mattos e  produzido pela Oficina de Frevos e Dobrados, sob  a batuta do maestro Fred Dantas. Nos anos de 2020 e 2021 o encontro aconteceu de forma virtual reunindo filarmônicas de várias regiões da Bahia.

Conheça mais sobre as Filarmônicas

Banda de Música da 6ª Região Militar (Salvador). Maestro: subtenente Martins.

Desde os tempos remotos a música é utilizada não só como meio de comunicação nos campos de batalha, mas também como elementos psicológico, animando as tropas. Napoleão Bonaparte valorizava tanto essa formação que, em 1813 escreveu para seu ministro da guerra: “passei em revista a vários regimentos que não tinham banda. Isso é intolerável. Apresse-se para envia-las.”

A Banda da 6ª Região Militar sempre promoveu um forte elo entre o Exército e a comunidade soteropolitana. A função da banda de música é de fundamental importância nas diversas atividades do quartel, executando hinos, dobrados e canções militares, principalmente a pulsação da marcha a pé firme, a marcialidade e a vibração para o desfile das tropas militares.

Atualmente a Banda da 6ª Região Militar é composta por 33 integrantes sob a chefia e regência do subtenente José Sandro Prazeres Martins da Costa

Sociedade Filarmônica Minerva (Morro do Chapéu). Mestre: Alberto Caetano.

O ciclo do garimpo nas Lavras Diamantinas se refletiu, felizmente, na criação ou manutenção de diversas bandas filarmônicas sob patrocínio dos famosos coronéis que reinavam soberanos em suas cidades. Em Morro do Chapéu foi fundada em 21 de outubro de 1906, a Filarmônica Minerva pelo coronel Francisco Dias Coelho, um coronel diferente à sua época, por ser um homem negro e pelo grande amor à cultura de um modo geral. 

Desde a sua fundação a Minerva tem interagido com a vida social da sua cidade, tendo educado várias gerações de músicos. Foi pioneira na organização de um encontro de filarmônicas que já chega a uma década de realizações. Atualmente seu corpo musical conta com 48 músicos, enquanto a sua escolinha de música - mantida através de convênio com a empresa Enel Green Power, possui 80 alunos. A Minerva participou do 29º Encontro de Filarmônicas, que foi realizado de forma virtual, e pela Lei Aldir Blanc realizou uma série de gravações divulgadas on line, de excelente qualidade.

Filarmônica Lyra Santamarense – Jiribatuba, Vera Cruz – Ilha de Itaparica. Mestre: Antonio Carlos de Miranda

A Sociedade Filarmônica Lyra Santamarense é um verdadeiro tesouro cultural e histórico instalado em uma vila de pescadores da ilha de Itaparica, que se mantém em atividade graças a várias gerações de abnegados. Foi fundada em 20 de abril de 1936 em Jiribatuba, antiga freguesia de Santo Amaro do Catu, distrito da cidade de Vera Cruz, detentora de um grande acervo cultural material, conhecida por ser um celeiro de músicos, terra do samba de roda, rica em história e tradição.

A Lyra Santamarense é uma entidade sem fins lucrativos onde, através da sua escolinha de música, crianças e jovens aprendem a ler partitura e a tocar instrumentos musicais de sopro e percussão de forma gratuita. O apoio dos seus sócios contribuintes e da comunidade de Jiribatuba, garante também a participação da sua banda, que atualmente é composta por cerca de 45 músicos, nos encontros de filarmônicas, concursos, festivais em toda Bahia, além de desfiles cívicos, festas religiosas e inaugurações, honrosamente representando a ilha de Itaparica.

Mesmo com as limitações materiais, com regência do maestro Antonio Carlos de Miranda segue firme e persistente na sua função social, levando conhecimento musical e alegria para toda a comunidade, tendo participado do 30º Encontro de Filarmônicas no 2 de julho, que foi realizado de forma virtual, e tendo obtido premiação pela Lei Aldir Blanc, realizou uma série excelente de gravações divulgadas on line, que além da musicalidade, divulga belas imagens da localidade de Jiribatuba, na Ilha de Itaparica.

Sociedade Filarmônica 8 de Dezembro – Nova Soure. Mestre: Marcelo Araújo dos Santos

 

A Sociedade Filarmônica 08 de Dezembro foi fundada em 15 de fevereiro de 1973 pelos idealistas Antônio Guilherme da Silva e José França Paes, com o objetivo de difundir o ensino gratuito da música e manter uma banda de música para abrilhantar os festejos sociais, políticos e cívicos do município e da região. A filarmônica completará 50 anos de existência em 2023.

A cidade de Nova Soure foi originada da Missão Jesuítica de Natuba que, no final do século XVI conquistou a confiança dos índios Kiriris, juntando-se a eles colonizadores portugueses que em 1758, oficializaram o distrito de Nossa Senhora da Conceição de Soure.  A cidade, hoje com cerca de 27 mil habitantes, tem orgulho da sua banda filarmônica e da sua unidade de iniciação, a Escola de Música Antônio Guilherme da Silva.

De fato, vários talentos alcançaram emprego e renda em bandas militares e profissionais advindos da filarmônica 8 de dezembro, que hoje conta com 26 músicos ativos, e mais 30 alunos, entre crianças e adolescentes, nos turnos matutino e vespertino.

O Encontro de Filarmônicas – do qual a Filarmônica 8 de dezembro participou de formas virtual na sua 30ª edição - é agora de forma presencial uma oportunidade única de incentivo para continuar a sua luta de manter a tradição das filarmônicas sendo um exemplo no Nordeste da Bahia. A Sociedade Filarmônica 8 de Dezembro é regida por Marcelo Araújo dos Santos, músico formado na Escola de Música Antônio Guilherme da Silva.

Oficina de Frevos e Dobrados (Salvador) - Filarmônica anfitriã. Mestre: Fred Dantas.

No ano de 1991 a Oficina de Frevos e Dobrados, já com nove anos de atividades, se uniu ao compositor Moraes Moreira para uma campanha nacional de valorização das bandas de música, que resultou em programas de TV, viagens e a gravação de uma linda música, Bandas de lá e de cá. Em uma dessas reuniões, com o mestre Manoel Zinho, da cidade de Aramari, surgiu a ideia de se criar um encontro de filarmônicas no 2 de julho.

Moraes participou por dois anos da ação, que teve continuidade com a Oficina de Frevos e Dobrados, em parceria com a Fundação Gregório de Mattos. O Encontro é uma das melhores ações da Oficina quer também inclui aulas de música, participação em eventos significativos como o Carnaval e a Lavagem do Bonfim, pesquisa e recuperação de antigas partituras e a criação de um novo repertório que projeta a filarmônica na contemporaneidade.

Este ano a Oficina traz a participação da soprano Irma Ferreira como convidada especial, cantora que iniciou a série de convites para que artistas reconhecidos fizessem junto com a filarmônica o encerramento festivo do Encontro de Filarmônicas. Depois dela participaram Margareth Menezes, Armandinho e Gerônimo.

 

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