Temos no Brasil aproximadamente cinco mil e seiscentos municípios e a nossa Feira de Santana, dentro desse quadro, encontra-se entre os quarenta principais por conta de sua grandiosidade comercial, industrial e da prestação de serviços, o que tem um significado altamente positivo no contexto nacional. Mas aqui, mesmo vivenciando uma realidade positiva esta grandiosidade de nossa Princesa do Sertão convive com alguns absurdos que são desnecessários mas que fazem parte de interesses de grupos econômicos e políticos sem nenhuma preocupação evidente com a população da cidade, segunda maior da Bahia, Região Metropolitana.
Mesmo com todo o seu crescimento populacional, com o desenvolvimento ainda maior do comércio e da indústria Feira de Santana ainda carece de benefícios que colaborem para um melhor Índice de Desenvolvimento Humano, e o transporte é um dos itens a ser observados e que em nossa cidade carece de uma melhor avaliação, em particular a questão dos reajustes que são repassados à população por solicitação dos empresários do setor com a conivência de um Conselho Municipal de Transportes e da consequente aceitação do Poder Público Municipal para aumento da tarifa do transporte coletivo urbano em R$2,50, proporcionalmente uma das mais caras do pais.
O valor da passagem de ônibus em Feira de Santana deveria ser considerada ilegal pela Justiça, com o Ministério Público entrando com ações contra os interessados pelo aumento da tarifa, por conta das distâncias percorridas pelos veículos (a maioria ruins) em percursos que demoram por conta da velocidade mínima utilizada pelos profissionais motoristas, acreditamos a mando das empresas.
O que é visível no dia-a-dia da cidade é que enquanto na Cidade Princesa cobra-se os R$2,50 num percurso, digamos, UEFS-Cidade Nova-Centro e outros curtos destinos, nas capitais nordestinas a exemplo de Fortaleza e Recife, com percursos bem maiores, cobra-se passagens nos valores respectivos de R$2,15 e R$2,30, hoje, sendo este último o valor cobrado até alguns dias atrás aqui em Feira de Santana.
Em Salvador, terceira maior capital do país, cidade turística por excelência, hoje são cobrados R$2,80, sendo considerada a quinta tarifa mais cara do Brasil. Só que em Salvador pode-se fazer percursos de 1 hora ou mais, a exemplo do itinerário Aeroporto-Liberdade fazendo com que a tarifa, em termos, se apresente mais em conta do que a cobrada em nossa cidade que tem percursos de no máximo trinta minutos junto a uma espera bastante demorada nos pontos de ônibus,assim como os péssimos serviços prestados pelo transporte alternativo que cobra o mesmo valor dos ônibus, tendo cobradores mal-educados, grosseiros, enfim, sem formação para o desempenho da função exercida nos veículos alternativos e nem Sindicato nem Prefeitura fazem avaliação estes serviços.
Sabemos que na vida, principalmente na nossa contemporaneidade, tudo faz parte de jogos de interesses e não seria diferente com o transporte coletivo, cujas empresas têm seus custos mas não tão elevados quanto dizem para aumentar o valor das tarifas, só creditando-se a elevação dos preços aos interesses de altos lucros que os empresários desejam e ao poder público que mesmo em ano eleitoral não se esquiva dos aumentos, sem preocupação com trabalhadores e estudantes que diuturnamente precisam do coletivo e que ao final de cada mês sentem o peso da tarifa nos bolsos.
Não deveriam ser aceitas as imposições de grupos econômicos para reajustar tarifas do transporte público sem uma intensa discussão com a sociedade organizada, sem o poder municipal entrar verdadeiramente na discussão observando que aqui há, de verdade, um alto custo no valor das passagens, mesmo hoje os R$2,50.
Por outro lado, os "edis" deveriam assumir um papel mais representativo na discussão da questão em prol da comunidade, afinal, como teoricamente se afirma, os "edis" são os representantes da população municipal e tem deveres, obrigações com todos, assim como com o bem-estar populacional. Que as tarifas do transporte coletivo precisam ser reajustadas, ninguém duvida. Mas, que as passagens sejam cobradas de forma racional, observando-se a geografia da cidade, os percursos curtos dentro da zona urbana para que os principais interessados pelo uso do transporte, que são trabalhadores e estudantes não sejam tão penalizados para beneficiar a alguns detentores de um "poder" passageiro.
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Cezar Ubaldo é professor, cronista e autor teatral
Cezar Ubaldo