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Mãe relata drama de filha vítima da internet

Especiais - 19/09/2010

O FATO

Na manhã de terça feira, 14 de setembro, próximo às 11h30min, quando me preparava para ir trabalhar, eis que recebo um telefonema que me frustrariam os planos, a mensagem recebida relatava acerca de duas fotos, supostamente de minha filha menor de 16 anos, estavam sendo exibidas em posições de explícito erotismo em um destes sites que se destinam a este fim e divulgadas através dos celulares dos alunos da sua escola. O caso adquiriu tamanha dimensão que provocou tal comoção ao ponto de minha filha ser vaiada, sofrendo toda sorte de abalo moral e de escárnio por parte desta comunidade estudantil e também perturbando a regularidade das aulas naquela manhã.

AFLIÇÃO DE MÃE

Sabendo da interrupção das aulas e que minha filha foi dispensada para retornar ao nosso lar, aguardei-lhe a sua chegada. As minhas entranhas revolviam, as mãos gelavam, o coração célere e aflito, mas com uma íntima convicção da minha responsabilidade de prestar-lhe inteiro apoio e consolo naquela hora dificílima. Estava preparada para fazer com que minha filha retornasse às aulas no dia seguinte e que iria apurar os fatos e descobrir os responsáveis daquela insidiosa campanha difamatória da qual estávamos sendo vitimas. Mas os minutos se escoaram e minha filha não chegava, a aflição já ia a mil. Para compartilhar deste momento de muito sofrimento chamei uma vizinha e expus-lhe os fatos, depois telefonei para o meu local de trabalho e informei da impossibilidade de meu comparecimento. Às 12h50min, quando já estávamos - eu e minha vizinha - determinadas a procurar minha filha, eis que ela chega com o rosto banhado em lágrimas, trêmula e ofegante, dizendo-nos nunca ter passada tamanha vergonha por injustificada acusação e sumária condenação, sem que ela tivesse o direito de ser ouvida e pudesse se defender amplamente. Relatou-me o ocorrido: a pessoa exibida naquelas poses vexatórias era muito parecida com ela e que juntamente com a vice-diretora da escola foram investigar o site que, segundo os rumores, estavam postadas as tais fotos. A navegação no site não logrou êxito, as fotos não estavam lá.

O DIA SEGUINTE

Levei minha filha até a escola. No ônibus ela me apontou uma estudante que havia sugerido a punição física por se expor daquela forma e que no dia anterior, na mesma condução, teceu-lhes provocações. Noticias chegam-nos de que várias escolas ali da vizinhança já circulavam estas fotos. Estes eram exemplos do que ela teve que enfrentar e a minha finalidade era dar por terminado qualquer ato de abuso. Fui deixar claro, perante aquela comunidade escolar – estudantes, funcionários, professoras e professores e equipe gestora, da minha necessidade de que fossem garantidos apoio moral e segurança à minha filha para que ela pudesse assistir às aulas sem risco de novo assédio. Busquei ver as ditas fotos, não que precisasse me convencer de não se tratar de minha filha, mas que elas me servissem para propor processo de apuração dos responsáveis que desencadearam aquele drama. Pusemo-nos, eu e a vice-diretora, a navegar naquele site, a cata das informações necessárias e mais uma vez, somente insucesso. Fiquei boa parte da manhã naquela escola garantindo-me da normalidade de seu funcionamento e que os fatos do dia anterior não mais se repetiriam. Deixei minha filha assistindo aulas. Em conversa ela me garantiu que a vice-diretora, em visita à sua sala de aula, exigiu que o equilíbrio fosse mantido e que os seus colegas lhes dessem integral apoio. Minha filha me deu notícias de quatro professoras suas - das disciplinas de língua portuguesa, matemática, geografia e de educação física - lhes foram solidárias.  Na sexta-feira minha filha se abateu, sofrendo de enxaqueca não foi para a escola. Estou, agora a estabelecer uma cruzada em favor do resgate da honra de minha família, A mensagem que agora lhes envio faz parte de uma dessas estratégias de luta.

 MINHAS REFLEXÕES

Sempre busco refletir acerca das refregas que a vida me impõe. Os seus desafios para mim são oportunidades de esclarecimento e aprendizado. A maledicência sempre existiu à boca pequena ela se dissemina e se instaura tal qual erva daninha no seio dos grupos sociais. As tecnologias lhes deram velocidade. O que aconteceu à minha filha não é um fato isolado e que, infelizmente, vai se repetir com outros. O que chama atenção é a moral estranha deste início de século que de um lado, estimula o erotismo e a sensualidade desenfreados e do outro se expressa numa censura hipócrita e tacanha quando lhes é conveniente – mulheres recebem altas somas para exibirem seus corpos nos tablóides e revistas; salas de vídeo locadoras privilegiam locais para exibição e comercialização da pornografia; milhões de sites destinados a alimentarem as fantasias sexuais de seus usuários; canais de TV por assinaturas estão por oferecer extensa e ininterrupta programação com este fim. O ibope assegura que a programação que exibe o picante é muito apreciada. Sem falar nas músicas de expressivo conteúdo que desmoraliza a mulher e o sexo veiculadas nas emissoras de comunicação de massa mantém-se nas paradas de sucesso. Enfim, tudo isto estimula o exibicionismo, o que era reservado à intimidade é aceito.  

Nossos incautos jovens, na realidade expressam esta confusão, ora se comportam de forma irresponsável no exercício de sua sexualidade, ora são eles mesmos os acusadores moralistas. Ainda estamos longe de inaugurar uma nova era que os valores da ética e da moral lastreados nos princípios da solidariedade, tolerância e respeito ao próximo prevaleçam.

APELO

Rogo a todos os amigos e amigas a quem me dirijo que tiveram a paciência de ler esta mensagem que me ajudem a alertar para que outras meninas, meninos, adolescentes, mulheres e homens não tenham que passar pela situação que agora sofre a minha família. Vamos usar dos mecanismos tecnológicos que dispomos para difundir o amor e a solidariedade.

REPASSEM, ENCAMINHEM, DIVULGUEM E ME RESPONDAM, GARANTINDO-ME O SEU APOIO.

IARA MARIA FERREIRA BATISTA

MORADORA DESTA CIDADE PRINCESA DO SERTÃO.

19 de setembro de 2010.

“O MAL PROSPERA QUANDO OS BONS NADA FAZEM PARA EVITÁ-LO.” 

Edmund Burke.

Iara Maria Ferreira Batista
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