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A outra face dos Institutos Federais (IFs)

Educação - 13/02/2012

A mídia nacional tem divulgado cotidianamente algumas boas notícias sobre os Institutos Federais (IFs). Mas toda moeda, como diz o sábio adágio popular, tem sempre duas faces. A mesma coisa acontece com nossos IFs. Na condição de professor, poeta e livre pensador desejo apresentar aos amigos leitores a outra face desta instituição de ensino público federal.  Uma face que com certeza muitos pais desconhecem. Esta outra face, não tão bonita quanto aquela sempre apresentada na mídia, é fruto do projeto de expansão desordenada do nosso Governo Federal para os Institutos Federais e da prática de gestores mal preparados para os novos desafios da educação no século XXI.

 Na ansiedade política de inaugurar novos campis em várias cidades do Brasil, o Governo Federal permitiu e estimulou que fossem inaugurados Institutos que já nasceram em situação precária, mal estruturados fisicamente, administrativamente desorganizados e com material humano e outros materiais insuficientes. Nesses Institutos, nascidos prematuramente, faltam professores, faltam materiais básicos para o trabalho pedagógico, faltam equipamentos tecnológicos míninos para o bom andamento das aulas, faltam livros nas bibliotecas, faltam laboratórios para determinados cursos, faltam equipamentos específicos para a plena realização de algumas disciplinas técnicas, faltam estruturas físicas adequadas ao modelo de educação tecnológica. Enfim, faltam as condições básicas e plenamente adequadas ao bom funcionamento da rede feral de ensino. Por isso, afirmo que nasceram prematuramente!

 Outro grave problema vivenciado hoje nos Institutos Federais é a falta de uma gestão democrática e participativa como ocorre nas Universidades Brasileiras. O modelo de gestão institucional é muito engessado e mais parecido com o gerenciamento de técnicos industriais do que de professores, intelectuais e livres pensadores. O saber humano, seja ele tecnológico ou artístico, não é construído apenas baseado em regras e normas legais da legislação trabalhista, portarias e resoluções da burocracia escolar. O saber universal foi sempre construído através do estímulo à produção, à criação, à investigação e ao compartilhamento das ideias e dos produtos gerados pelos docentes, discentes, técnicos, analistas e toda a comunidade que interage no ambiente acadêmico. Isso tem sido constantemente esquecido por aqueles que dizem “administrar” a educação federal.

 Caros leitores, sabemos que esta outra face dos Institutos Federais não agrada, mas é necessário refletirmos sobre ela. Será que realmente queremos para nossos filhos uma educação oferecida nestas condições? Será que o Governo Federal está realmente cumprido seu papel de oferecer uma educação pública, gratuita e de qualidade? Será que os Institutos Federais estão realmente caminhando para se tornarem centros de excelência no ensino básico e tecnológico superior no Brasil? Ou será tudo um engodo político para divulgar estatísticas e mais estatísticas da falsa evolução da educação brasileira? Nós, cidadãos brasileiros, devemos pensar e repensar sobre essas questões educacionais que envolvem o presente dos nossos filhos e o futuro da nossa nação. Pensar e cobrar atitudes de mudança aos representantes legais que nós elegemos! Pensamento e ação são as bases de toda revolução social!

Cleberton dos Santos, professor do IFBA, poeta, crítico literário e ativista cultural.

 

Paulo Afonso, 11 de fevereiro de 2012. 

 

PROF. MS. CLEBERTON DOS SANTOS
IFBA - CAMPUS PAULO AFONSO - BAHIA
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Cleberton dos Santos
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