André Pomponet*
No dia 12 de julho de 1990 Bahia e Botafogo entraram em campo no Estádio Jóia da Princesa pela segunda fase da Copa do Brasil. Era uma quarta-feira à noite. O Bahia vinha da quase inexplicável perda do título baiano daquele ano, depois de vencer os dois turnos da competição. O Botafogo sagrara-se campeão carioca contra o Vasco da Gama.
A principal estrela do time alvinegro era o zagueiro Mauro Galvão, titular da Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 1990, disputada no mês anterior. O Brasil acabou eliminado pela Argentina nas quartas-de-final, depois de uma arrancada de Maradona, que passou a bola para Caniggia marcar o único gol da partida. Mauro Galvão estava entre os jogadores brasileiros driblados por Maradona no lance do gol.
A jogada estava bem viva na memória dos torcedores feirenses, que passaram o jogo fustigando o zagueiro botafoguense. Naquela fria noite de julho, os espectadores acompanharam uma partida sem grandes emoções, com os dois times demonstrando mais disposição que, propriamente, qualidade técnica.
Ao Bahia, cabia a responsabilidade de vencer a partida em casa. Afinal, a vaga seria decidida no segundo jogo, no Rio de Janeiro. Depois de pressionar, mas sem criar grandes chances de gol, o tricolor conseguiu retomar uma bola na intermediária botafoguense. No contra-ataque, a bola foi rolada para Marquinhos, o arisco ponta-esquerda do Bahia Campeão Brasileiro de 1988. O goleiro botafoguense Ricardo Cruz até defendeu o chute do atacante tricolor, mas a bola morreu mansamente nas redes botafoguenses.
Depois do gol assinalado aos 15 do segundo tempo, o Bahia recuou para assegurar a vantagem no marcador. Três dias depois aconteceu o jogo de volta, no estádio Caio Martins, em Niterói: lá, o Botafogo até conseguiu abrir o placar com o baiano Washington, mas o atacante tricolor Hélio selou o 1x1 e o Bahia carimbou a passagem para a terceira fase da competição.
O Bahia que jogou no Jóia da Princesa em julho de 1990 não era o mesmo Bahia que, meses depois, ficaria num honroso quarto lugar no Campeonato Brasileiro. Faltavam jogadores como Paulo Rodrigues, Gil Sergipano, Charles, Naldinho e Luís Henrique. No time titular daquela partida, dois jogadores do Fluminense vice-campeão baiano: o quarto-zagueiro Careca e o lateral-esquerdo Rivaldo que, no Brasileiro, perderam a condição de titulares.
No início de junho, Bahia e Botafogo voltam a se enfrentar no mesmo Jóia da Princesa, quase 23 anos depois...
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* André Pomponet é jornalista e economista
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