A antecipação da discussão sobre a Micareta 2016 foi bem recebida pelos representantes dos segmentos que participam da festa, seja como organizadores ou atrações. Eles se reuniram na noite de terça-feira, 19, no auditório da Secretaria Municipal de Saúde, com o prefeito José Ronaldo e o secretário municipal de Cultura, Esporte e Lazer, Rafael Cordeiro. Com 78 anos de história, o carnaval fora de época de Feira de Santana foi o único do gênero que sobreviveu no país este ano.
A importância do terceiro maior evento popular do Brasil – depois dos carnavais de Recife e Salvador – voltou a ser destacada pelo prefeito José Ronaldo, que ressaltou o empenho da Secel em iniciar a discussão da organização da festa menos de um mês após a edição 2015. “Ouvir opiniões de quem faz a Micareta é fundamental, porque enriquece o debate”, disse o prefeito, ressaltando a diversidade como aspecto positivo. “Temos até quadrilha de São João na avenida”, citou.
Sobre a possibilidade de mudança do circuito da folia da avenida Presidente Dutra, o prefeito contou que a questão já foi debatida em outras situações, bem como a transferência da data de abril para janeiro, mas as propostas não avançaram. “Nosso propósito é exatamente estabelecer o diálogo com a sociedade, abrir um canal de discussão”, defendeu o secretário Rafael Cordeiro, sinalizando outros encontros para debates mais direcionados a cada segmento.
De acordo com Rafael Cordeiro, a antecipação das discussões visa justamente definir ações para melhorar a festa como um todo. O começo dessas mudanças, na avaliação do produtor e diretor de bloco Antônio Digs, pode ser a reavaliação da quantidade de atrações na avenida. “Este ano foram mais 43 atrações por noite em um percurso de pouco mais de um quilômetro e meio, enquanto em Salvador são 20 atrações em uma extensão de quatro quilômetros”, comparou.
Na avaliação do presidente da Associação de Blocos, Claudio Pereira, a avenida Presidente Dutra ainda é o local ideal para a festa, apesar de ser um percurso pequeno. “Não tem lugar melhor, principalmente para o folião pipoca”, concordou Valter Lima, do bloco Lá Vem Elas. Mas esta não é a opinião de comerciantes estabelecidos na área.
A questão da segurança foi levantada por Lurdes Santana, especialmente com relação ao tratamento policial dado ao folião de cor negra. “Através do Observatório Racial observamos que a violência contra os negros foi visível”, disse a representante do Conselho da Igualdade Racial. Já o presidente da Associação de Blocos de Trios, Jorge Sebastião, reivindicou o retorno do Espaço Kalilândia, que não foi realizado este ano.
Além de empresários, profissionais de comunicação, diretores de órgãos municipais diretamente envolvidos com a realização da Micareta, representantes de blocos, trios, artistas e bandas e barraqueiros participaram da reunião dirigentes de instituições parceiras, a exemplo da Coelba, e os vereadores Pablo Roberto e Correia Zezito. Presentes ainda o secretário municipal de Comunicação Social, Valdomiro Silva, e o diretor de Eventos da Secretaria de Cultura, Naron Vasconcelos.