O tempo bom para as fazendas e, consequente à atividade agropecuária, pode contribuir para o sucesso da Exposição Agropecuária de Feira de Santana, aberta oficialmente na tarde deste domingo, 7, e vai ser encerrada no dia 14. “Sei que os fazendeiros ainda estão se recuperando da longa seca que nos castigou até o ano passado, mas as chuvas animam a todos, porque nos trazem esperança. A situação do clima é bem diferente do que vimos no ano passado”, observou o prefeito José Ronaldo de Carvalho.
Ele afirmou que procurou atender, dentro das possibilidades do município, dos expositores. “Tenham a certeza de que nos esforçamos para oferecer-lhes o melhor”. Um ponto que considera positivo para os resultados da mostra é a procura por espaços por parte dos comerciantes. “Mostra que as vendas tem sido significativas”. José Ronaldo agradeceu a participação dos órgãos estaduais, que montaram estande no Parque de Exposição João Martins da Silva.
Destacou também a participação das pessoas no primeiro dia da festa. “É expressiva a presença de público, que enfrenta uma tarde fria para vir ao parque”. A Expofeira é uma opção de lazer para os feirenses no início de setembro. Disse também que a ajuda financeira do estado, de R$ 60 mil, foi bem vinda. “Sempre será bem vinda”.
O secretário de Agricultura da Bahia, Jairo Carneiro, afirmou que a Expofeira é importante para Feira de Santana e elogiou a presença e o trabalho dos órgãos estaduais, como a EBDA (Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola) e da ADAB. Para ele, a parceria entre as duas esferas de governo mais as associações que cuidam da atividade agropecuária, é importante para a realização da Expofeira.
O presidente do Frifeira, Wilson Pereira, disse que os fazendeiros devem estar mais atentos com as formas de administrar a terra, principalmente no tocante à sua qualidade. Estiveram presentes secretários municipais, entre eles o de Agricultura, Ozeny Moraes, e lideranças políticas.
Cultura regional vai à Expofeira
Visitar o Parque de Exposição João Martins da Silva durante a XXXIX Exposição Agropecuária de Feira de Santana (Expofeira 2014) é uma oportunidade para se conhecer a cultura regional. Durante a mostra agropecuária, cordelistas e folheteiros expõem e comercializam cordéis no stand do Mercado de Arte Popular (MAP), onde também artesões comercializam seus produtos.
Somente na barraca do cordelista e folheteiro Jurivaldo Alves da Silva estão expostos mais de 500 títulos ou capas, como são mais conhecidos os cordéis entre nas editoras. Algumas das produções mais famosas e líderes em vendas datam de mais de 100 anos e continuam exercendo o mesmo fascínio e encanto aos seus leitores.
Jurivaldo explica que hoje, com o advento da internet e da informação instantânea, a literatura de cordel encanta principalmente as pessoas mais velhas e colecionadores. “Antigamente era até uma forma de alfabetizar pois os cordéis eram vistos como uma leitura gostosa”, explica.
Dentre os títulos mais disputados estão “Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho”, editado por Gonçalo Ferreira da Silva e que está fazendo 100 anos de lançamento este ano; “O Cachorro dos Mortos”, também com mais de um século de criação e de autoria de Leandro Gomes de Barros, considerado pioneiro da cultura de cordel na Bahia; e “A Vida de Pedro Cem”, também de Leandro Gomes e com cerca de 100 anos.
Outras edições que chamam a atenção dos leitores é “A chegada de Lampião no Inferno”, de José Pacheco, com cerca de 50 anos de lançamento; “O Pavão Misterioso”, que este ano completou 91 anos e é de autoria de José Camelo de Melo Resende; “A Moça Que Bateu na Mãe e Virou Cachorra”, de Rodolfo Coelho Cavalcante, alagoano radicado na Bahia e que possui quase meio século de lançado.
As literaturas de cordel proporcionam uma viagem pelas mais diversas áreas de conhecimento humano, explorando temas que vão desde a vaidade humana com a chegada da moda do silicone, a vida de Luiz Gonzaga – O Rei do Baião, o Cordel no meio ambiente; histórias de caminhoneiros, o presidente Getúlio Vargas, sobre os eleitores e até mesmo Jesus Cristo. Um dos temas mais explorados tem sido o de Lampião.
Expofeira na programação escolar
Visitar a Exposição Agropecuária de Feira de Santana (Expofeira 2014), no período de 7 a 14 deste mês, no Parque de Exposição João Martins da Silva, está fazendo parte do roteiro de muitas escolas dentro da programação extraclasse. A iniciativa é vista como a melhor forma para as crianças interagirem com a agropecuária, já que animais de grande porte e implementos agrícolas são novidades para a maioria delas.
Os dias de menor movimento são os preferidos para as atividades escolares com crianças. Um dos primeiros grupos a chegar no Parque de Exposição, nesta segunda-feira, 08, foi da Escola Santa Cecília, do bairro Jardim Cruzeiro, que pela manhã trouxe 64 alunos e repetiu com outra turma no período da tarde.
A coordenadora da Escola Santa Cecília, Adriana Paim, garante que na terça-feira, 09, trarão mais duas turmas. “É uma ótima oportunidade para as crianças descobrirem o que existe na pecuária e na agricultura, já que tudo é novidade para eles. E a partir daí desenvolvemos atividades na escola”, informou.
Os alunos da Santa Cecília são crianças com idade entre 3 a 7 anos que cursam do Grupo 3 ao 1º ano. Visitaram pavilhões onde estão equinos, bovinos, caprinos e ovinos, além de stands institucionais, artesanais e também de equipamentos agrícolas.
Retomada obra para levar água aos distritos
A Secretaria de Agricultura, Recursos Hídricos e Desenvolvimento Rural (Seagri) retomou as obras para implantação de extensão de rede de água encanada na zona rural de Feira de Santana. O serviço, executado em parceria com a Embasa, contempla seis dos oito distritos feirenses e resultará na oferta de serviço para pelo menos 1.100 famílias.
A rede de extensão de água encanada está contemplando povoados dos distritos de Humildes, Jaíba, Ipuaçu, Matinha, Tiquaruçu e Maria Quitéria, onde o serviço ainda não existe ou o abastecimento é precário.
Nesta etapa, conforme o secretário da Seagri, Ozeny Moraes, os serviços estão concentrados no distrito de Humildes, onde estavam paralisados em função do período de chuva. “Já retomamos os serviços para que dentro em breve estas comunidades sejam abastecidas com água encanada de qualidade”, frisou.
Além desta obra, também está sendo realizada ampliação do sistema integrado de água encanada para atender mais 1.100 famílias nos povoados de Vila São José e Nunes, no distrito de Ipuaçu. Nesta área os serviços são executados pela Embasa.
Pedacinho do MAP é armado no Parque de Exposição
Vinte comerciantes do MAP (Mercado de Arte Popular) vão ocupar o galpão localizado à entrada do Parque de Exposição João Martins da Silva, onde funcionou o espaço Caminho da Roça, durante a Exposição Agropecuária de Feira de Santana, aberta nesta tarde e que vai ser encerrada no dia 14. Neste período mostrarão aos visitantes os seus produtos. O objetivo primário é mostrar o que vendem, mas as vendas, dizem , serão bem vindas.
O secretário de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, Antônio Carlos Borges Júnior, disse que esta exposição temporária será positiva para os comerciantes do MAP – e apenas aqueles que vieram ao Parque. “Acredito que ao vir as peças que aqui estão expostas, as pessoas vão querer saber onde encontrá-las. É o primeiro passo para transformar clientes em consumidores”.
Um dos que montaram barraca no Parque de Exposição é cordelista Franklin Maxado. “A ideia foi positiva, porque por aqui passam muitas pessoas que veem os produtos ou passam a conhecê-los”, disse. Para a comerciante Amélia de Jesus Ribeiro, a fachada do MAP presente no Parque torna o espaço comercial mais conhecido. Ela também destaca a troca de experiências com os artesãos que trabalham nas ruas é significativa. “Nós somos empreendedores, mas eles podem nos passar seus conhecimentos”.
O que os comerciantes desejam, diz o coordenador MAP do parque, Mardio de Santana, é manter contato com os consumidores para, depois, abrir canais de negociação futuras. “Achei interessante vir para o Parque, porque a gente tem a chance de mostrar nossos produtos para uma grande quantidade de pessoas que, no futuro, poderão se tornar nossos clientes”.
Mardio de Santana afirma que o objetivo é mostrar os produtos. “Mas se vendas acontecerem, serão bem vindas”. A iniciativa de montar o MAP itinerante teve o apoio direto da Prefeitura de Feira de Santana, por meio da SETTDEC.
José Ronaldo visita estandes do Parque de Exposição
O prefeito José Ronaldo de Carvalho, acompanhado pelo secretário de Agricultura da Bahia, Jairo Carneiro, visitou os estantes do Banco do Brasil e o Caminho da Agropecuária, que reúne pequenos produtores rurais, o Sebrae – onde ficou durante alguns minutos. “São visitas de cortesia e desejar a todos bons negócios e sucesso durante a Expofeira”. Também o acompanharam secretários municipais.
José Ronaldo também esteve no Caminho da Roça, tradicional espaço que reúne pequenos produtores rurais do município, que neste ano mudou de localização. Até o ano passado funcionou no galpão à entrada do Parque de Exposição João Martins da Silva e nesta edição mudou para a saída sul do parque. Ele elogiou o novo local, que definiu como melhor do que o anterior.
Na sua caminhada pelo parque foi cumprimentado por vários cidadãos e crianças. Atendendo a pedidos, montou “Capitão”, um colosso de mais de 500 quilos, manso, e um dos cinco touros que compõem a Companhia de Boi Adestrados, que se apresenta em festas rurais de todo estado.
Samba de roda: cadência e transe
Os pandeiros e os bumbos soaram alto no primeiro dia da Exposição Agropecuária de Feira de Santana. Quem foi ao Parque de Exposição João Martins da Silva não passou alheio ao ritmo forte e cadenciado do samba de roda do grupo Brilhantes de Ipirá.
E não foram poucas as que também entraram na roda e se entregaram ao ritmo que não é apenas contagiante. Mas inebria e deixa as pessoas como se estivessem em transe. E as músicas, sempre com poucos versos, são executadas em alta velocidade.
E quem entra na roda mexe os pés rapidamente. As mulheres dão um show particular, com seus requebros nos quadris. E o grupo, mais os curiosos, ficaram horas a tocar a dançar. Foi um transe coletivo.
Índio brasil, o galo gigante
Um galão empalhado, de mais de metro de altura, é o cartão de visitas do estante que atrai os olhares das pessoas que passam à sua frente. O tamanho das aves chama a atenção até dos mais desatentos. São galos e galinhas da raça índio gigante, cujos machos podem chegar, a depender do manejo, a 1,2 metro de altura e a pesar 9 quilos. As galinhas atingem 1 metro e pesam até cinco quilos. O preço também espanta. Os pintos de um dia saem por R$ 60 e os galos adultos atingem R$ 700.
Mas, diz Elias Borges, dono da Fazenda Riacho Claro, localizada no município de Araçás, onde os bichos são criados, o custo compensa. E o retorno dos investimentos é garantido. Para quem tem várias galinhas um galo só da para melhorar a qualidade da segunda geração de aves. “É bom para melhorar a qualidade genética dos descendentes”. É como se colocasse um reprodutor de raça em um rebanho de ovelhas. “Os filhos gerados por estas coberturas terão mais carne e podem ser vendidos mais cedo”.
De acordo com ele, as galinhas desta raça põem cerca de 250 ovos por ano – uma franga próxima de se tornar matriz custa cerca de R$ 500, o mesmo preço para um macho jovem. Elias Borges diz que a presença na 39 Exposição Agropecuária de Feira de Santana é para mostrar a raça tanto para criadores, que poderão usá-la para melhoramento genético, como para os visitantes, que poderão formar seus aviários. As aves são criadas em piquetes e se alimentam no pasto e com ração. O manejo, diz o criador, é dos mais fáceis.
Elias Borges comenta que na essência o índio brasil é uma raça rústica, caipira. Ainda disse que 90% das vendas são feitas pela internet. “Participar da Expofeira é uma maneira de mostrar estas aves para um grande número de pessoas. É claro que se vender algumas será um bom negócio”. Estão em exposição 193 animais de todas as idades.
E a primeira noite de festa no Parque foi das mais animadas
Pelos menos 70% dos mais de sete mil metros quadrados da área de shows do Parque de Exposição João Martins da Silva foram ocupados pela multidão que se divertiu na primeira noite de apresentações musicais da 39ª Exposição Agropecuária de Feira de Santana. O forró correu leve e solto durante horas. A banda Forró Caju de Ouro abriu as apresentações e a Caracu com Ovo foi a responsável por fechar a programação, já na madrugada desta segunda-feira, 8. Foram quase dez horas de som.
Quem está acostumado a ir ao Parque, para curtir festas, observou que a noite de domingo foi uma das que atraiu mais pessoas, se comparada com os anos anteriores. O movimento das pessoas em direção à área de shows passou das 23 horas, um recorde para o primeiro dia. Outro ponto positivo foi a quantidade de pessoas que estava dentro das barracas ou consumindo produtos no meio do grande salão. Certeza de bons negócios na noite da estreia.
A segunda a se apresentar foi o Forró Adelmo Alves, que tocou todos os ritmos que tem origem no sertão. E para terminar o show em grande estilo, a banda potiguar tocou algumas marchinhas juninas, aquelas das quadrilhas juninas. Logo os grupos de amigos formaram pequenos arriás, com túneis, caminho da roça, chuvinha, entre outros que animam a maior das festas sertanejas. Depois, entrou no palco Nós Abala, com seu som suave balançou a galera.
Foram apresentações que não deram espaço para que os presentes reclamassem da noite fria de final de inverno. E para esquentar de vez, entrou em cena a principal atração da noite: a banda pernambucana Arreio de Ouro, uma das mais conhecidas do ritmo de vaqueirama. A lamentação do aboio dos vaqueiros foi incrementada por uma sanfona bem tocada e a marcação da zabumba e dos metais. Foi outra apresentação que não deixou os forrozeiros parados.
E para encerrar a noite de festa, se apresentou a feirense Caracu com Ovo, que com o seu repertório formado pelo que há de mais atraente em termos de forró, não permitiu que a multidão, mesmo nas primeiras horas da madrugada, fosse embora para recuperar a energia para os shows da terça-feira – na segunda-feira não haverá programação musical no Parque.
Outro ponto elogiado pelos presentes foi a segurança no local de shows. Para entrar, todos passaram por uma detalhada revista. Os fiscais usaram equipamento eletrônico para detectar se os homens levavam algum metal. As mulheres também passaram pela revista, com atenção redobrada no conteúdo das bolsas.