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Na solidão do mundo

Contos e Crônicas - 09/01/2014

 

Novo ano, vida seguindo, violências  em voga, corruptos e corruptores sendo acariciados por alguns e agredidos por outros tantos, educação na mesma situação dos anos anteriores,ou seja, deseducando, poucas perspectivas de desenvolvimento econômico, consequentemente maiores problemas para a população, aumento da alíquota do Imposto de Renda, como forma de arrocho para trabalhadores e benefícios para o Estado, enfim, as mesmas coisas do ano que passou, apenas com uma pequena diferença: vamos sediar a Copa do Mundo, da Fifa, com ingressos a preços estratosféricos, com passagens de avião em altíssimo custo, com a rede hoteleira ampliando em mais de dois mil por cento os lucros, assim como restaurantes, lanchonetes, tudo para satisfazer Blatter e cia. Com base em tudo o que está acontecendo no Brasil e no mundo, decidi escrever um texto sentado na cadeira de balanço, a olhar para as paredes de minha sala sem quadros de famosos, ilustres pintores, sem estante com títulos diversos, premiados, pois quase tudo doei, sem estardalhaço para que outras pessoas apreciem o que é bom. Mesmo assim, posso ler outros livros, ver e sentir a arte nas telas, ouvir tudo aquilo que me faz refletir sobre o ser humano e o tempo, sobre esquecidos e desaparecidos,como invisíveis, do tipo personagens de filme, cortados de cena como se fossem estrumes da película que fala do poder que exala odores miseráveis e que faz com que o homem se afaste da essência.
Sentado na cadeira de balanço miro o horizonte das paredes da sala sem perspectiva de nada, no mergulho final do ponto de mutação de qualquer um de nós ou mesmo daqueles que olham para o tudo e nada vêem, assim como sacramentos  não distribuídos nas esquinas dos sem vida ou dos que buscam alguma dádiva na embriagues das prostitutas que se assemelham às divas!... Assim,fecha-se a cena da noite nos desespero da própria noite em que a poesia menstruada imagina-se mulher, doando-se a mim.

Cezar Ubaldo

 

Cezar Ubaldo

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