O título deste artigo, retirado dos fortes e precisos versos do Poeta setecentista Gregório de Mattos e Guerra é para relembrar a todos que as nossas diferenças, que os nossos problemas são intensos e urgentemente precisam ser resolvidos com sabedoria, se é que há sabedoria em deixar a Educação entrar num profundo poço escuro. Por isto é que será que podemos acreditar que a democracia no Brasil é de fato o governo do povo, pelo povo, para o povo ou a nossa democracia se equilibra na ideologia dos déspotas de tudo para o povo, mas sem o povo?
O questionamento se faz necessário pois o que vemos no país é um jogo de interesses partidários, com a população de um lado mergulhada na insegurança diuturna, na péssima política pública de saúde com os hospitais, ambulâncias comuns e da Samu todos sucateados, com brasileiros morrendo dentro dos hospitais, sem atendimentos, com a constante necessidade de se recorrer à Justiça para que cidadãos possam conseguir um leito para uma mulher parir, um leito de UTI para que criança, adulto ou idoso possa ser atendido, afastando-se da possibilidade de óbito, como acontece regularmente enquanto que os "gestores" das políticas públicas se arvoram de que realizam boas administrações, etc.
Ao lado dos problemas da segurança pública e da saúde, soma-se a problemática da Educação que fica a cada dia menos valorizada entre os projetos governamentais, a exemplo da nossa Bahia, que a cada dia se vê diminuida na sua grandeza de Estado, convivendo com uma greve justa dos professores licenciados, especializados, a quase 90 dias se contarmos os 12 dias da greve da Policia Militar em que as escolas estiveram fechadas, por conta da intransigência do governador que não conclama os profissionais da Educação para o verdadeiro diálogo para se por um fim ao movimento grevista enquanto todo o nosso processo educativo vai entrando no caos ficando a nossa Bahia diminuta na grandeza do conhecimento, com jovens, crianças e adultos sem alcançarem o que é de substantivo na Educação: o saber, pois crescimento e desenvolvimento acontecem quando os governantes têm conhecimento que Educação é vida e consequentemente precisa de cuidados mais do que especiais para que ela esteja sempre no topo da pirâmide, quando apenas fala do "aumento" de 6,5% para os professores de nível superior com pós-graduação e de 22 a 26% para os não-licenciados, o que é uma vergonha para nós baianos, falando sobre os "excelentes aulões" que segundo o governo serão o bastante para que os alunos do terceiro ano do Estado possam participar do ENEM - uma piada -, entre outros absurdos comprobatórios de que não há nenhum interesse de quem governa o Estado com o processo educativo, pois se assim fosse, o pensamento seria o de se olhar para mais de 1 milhão de estudantes e, não, para um pequeno grupo dentro deste universo.
Refletindo sobre o problema de todos nós quando se trata de Educação, vale mais uma pergunta: Por que é que os políticos de todas as siglas, em todas as esferas de poder tratam tão mal a Educação? Afinal, a Educação não ensina a matar,a roubar, a ser corrupto. Os homens transformam-se em assassinos, em ladrões, em corruptos por conta da própria índole. A educação eleva o ser humano, faz dele o sujeito social, o construtor de sua história, o cidadão real que luta pelo ser e, não, unicamente pelo ter.
O homem que compreende a necessidade da Educação e a vê como vida, percebe o valor de tudo o que é valor verdadeiro e cresce em meio ao que se constrói como riqueza imaterial e não faz nada para ser notado e, sim, faz sempre algo notável, como afirma Confúcio. Mas, ser Confúcio é ser pensante e isto não é para governantes, que são pequenos nos pensamentos e nas ações, promovendo, na maioria das vezes, e nos Estados Brasileiros a insegurança total e a deseducação.
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Cezar Ubaldo é professor, cronista poeta e autor teatral
Cezar Ubaldo
Contos e Crônicas