É importante que a sociedade tome conhecimento de que por conta de trinta dias de paralisação das atividades pedagógicas, os professores da rede estadual de ensino não podem ser crucificados. A crucificação arquitetada pelo governo estadual contra professores que reivindicam o que é legal não pode ser aceita pelos pais dos alunos como deseja o governo e, isso, por conta da falta de honrar compromissos assumidos com bastante antecedência, neste caso, cinco meses, pois acordo foi feito em novembro de 2011 e não cumprido mais uma vez. Outro ponto importante no que diz respeito à questão dos duzentos dias letivos é que no ano em vigência, nos quatrocentos e dezessete municipios baianos, em muitos deles as reformas dos prédios escolares foram iniciadas em fevereiro e/ou março, prejudicando desde o início do ano letivo centenas ou milhares de alunos, o que nunca é colocado pelo governo, que poderia realizar as reformas no período de férias escolares. Por outro lado, e importante para pais e alunos, é que enquanto a greve durar os alunos poderiam ir às bibliotecas, em grupo, para desenvolverem estudos nas diversas disciplinas a fim de não esquecerem o que foi dado como conteúdo programático, visitar museus, utilizar a internet como ferramenta de aprendizagem, enfim mobilizarem-se, demonstrando o verdadeiro interesse pelo processo de aquisição do conhecimento mesmo que no momento,na maneira informal.
A greve, em qualquer segmento social mexe com todos, de uma forma ou de outra. Mesmo assim, a greve dos professores da rede pública de ensino na Bahia, considerada ilegal pela justiça, é muito legal, sim, para todos os professores do Estado, pois a reivindicação dos vinte e dois por cento é por conta do que foi acordado em novembro de 2011.
Como é natural, a justiça, considerando ilegal a greve dos professores, defende os interesses de um governo e não, da sociedade, pois se assim fosse, a justiça procuraria tomar conhecimento das realidades enfrentadas por professores em sala de aula com cinquenta e até mesmo sessenta alunos, tendo de encarar, por muitas vezes, marginais, sim, marginais que aproveitando-se das matrículas informatizadas ingressam nas escolas com o objetivo único de construirem pontes para o tráfico de drogas,assim como dos riscos de morte por que passam professores. Assim, sem conhecimento das realidades vivenciadas por educadores, que estão na profissão porque nenhum povo pode desenvolver-se sem a presença necessária do professor e, também, porque o processo educativo é de uma riqueza ímpar, muito mais do que a riqueza ambicionada pelos muitos Demóstenes e pelos outros tantos Cachoeiras que habitam a politica brasileira em todos os seus estados,é que a greve é considerada ilegal.
É preciso que a sociedade saiba que quando a relação entre governo e segmento de trabalhadores é feita de forma dialógica não há prejuizo para nenhuma das partes, assim como para quem está no olho do furacão. Entretanto, quando o lado mais forte, o estado através de um governo, não abre as portas para o diálogo, a situação só tende a piorar. Quem não lembra da greve dos policiais e das quantas mortes e saques ocorridos em várias cidades do Estado por falta do diálogo. E, ainda hoje, ninguém está satisfeito.
É preciso, então, que a democracia seja exercitada como governo do povo, pelo povo e para o povo. Que de lado sejam deixados os interesses de um só grupo e que toda a sociedade possa respirar aliviada,com seus filhos retornando às salas de aulas, com professores satisfeitos tendo aceitas as suas reivindicações, e que os governantes parem um pouco de falar tanto em responsabilidade fiscal que, mais uma vez repito, é poderosa para não satisfazer os interesses de todas as classes trabalhadores, verdadeiramente trabalhadoras deste país, mas que não existe para os desmandos praticados por governantes.
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Cezar Ubaldo é professor, cronista e autor teatral
Cezar Ubaldo