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Jingobel: trupe de Feira qualifica texto de Cláudio Simões

Teatro - 23/01/2012
Jingobel: trupe de Feira qualifica texto de Cláudio Simões O elenco composto por Wagno Matos, Wilson Macedo e Leonardo Teles em Jingobel: no tom certo - Foto: Divulgação

Lauro de Freitas, Bahia |15 jan 2012 | Uma das mais merecidas premiações da sexta edição do Festival Nacional Ipitanga de Teatro (FIT), entregues ontem no Cine Teatro de Lauro de Freitas, foi para Leonardo Teles, melhor ator-coadjuvante em Jingobel – a conhecida obra do premiado feirense Cláudio Simões – mas não só pela atuação. O espetáculo recebeu sete indicações, incluindo o de melhor espetáculo adulto pela comissão julgadora e pelo júri popular, melhor texto, melhor direção, melhor maquiagem e ainda uma segunda para melhor ator-coadjuvante pela atuação de Wilson Macedo. A Cia Teatro Diário volta a apresentar Jingobel no próximo dia 25, no Espaço Xisto Bahia, em Salvador, quarta-feira, as 20 h.

Trata-se, senão da enésima, pelo menos da quinta montagem do espetáculo que põe três mulheres a debater temas já debatidos à exaustão, geralmente em busca do politicamente correto: solidão, velhice, discriminação, violência, religião. O mérito deste Jingobel, assinado pela Companhia Teatro Diário, de Feira de Santana, está na fuga ao óbvio, acrescida de uma inédita qualificação do original. Sob a direção de Márcio Sherrer, o trio em palco faz do limão uma genial limonada.
Diante de um texto repleto de estereótipos e com personagens a condizer, Wagno Matos, Wilson Macedo e Leonardo Teles corrigem o tom para oferecer uma comédia de primeira linha. Elisa, a amante abandonada, Vanusa, a lésbica e Teresa, a evangélica, assumem a caricatura que são. O primeiro acerto está na escolha de intérpretes masculinos para os papéis femininos. Os demais acertos quase decorrem disso.
A formula do transvestismo, nem sempre bem sucedida, resulta muito bem neste Jingobel por conta da performance do trio em palco, que soube dosar personalidade e caricatura. É assim que, ao contrário do que se viu em montagens anteriores, a personagem lésbica tem nada de masculino e a evangélica coisa nenhuma de fanática. Ao tempo que calibra o humor em cena, o equilíbrio na construção das caricaturas reforça uma veia irônica que trespassa o texto – quase um novo texto.
A maquiagem – que rendeu uma indicação também a Leonardo Teles – vai no mesmo sentido. Nem tanto que transborde as personagens, nem tão pouco que fique devendo. Sem a concorrência de
Benedita, que merecidamente faturou a categoria, o prêmio seria de Jingobel. Leonardo, quase 22 anos, que participou de um festival de teatro pela primeira vez, assina ainda o cenário. O prêmio cabe melhor pelo conjunto da obra, e pela ousadia de trupe em qualificar um texto de Cláudio Simões.


Postado por Rogério Borges – Jornalista e Crítico de Teatro -  Vilas Magazine

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