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Artista joga bola com desenhos homenageando a Copa

Artes Visuais - 13/05/2014
Artista joga bola com desenhos homenageando a Copa Um dos desenhos de Joaquim Franco retrata o time feminino - Foto: Reprodução

Joaquim Franco, artista plástico, arquiteto mostra de 58 infogravuras (desenhos ilustrados a lápis e hidrocor) e duas telas com pintura computacional, com vernissage marcada para esta quinta-feira (15/5), às 20h, no Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira.

“Fútilboy”, segundo o artista, remete aos mais diversos estilos do futebol, incluindo os craques, especialmente o Rei Pelé; sobre sua obra e o que o levou a trabalhar com o tema e um mergulho no tempo:

 

No tempo do fútilboy

A minha geração de menino e adolescente, encarou duas proibições muito pesadas. Uma foi o combate à leitura das revistinhas das histórias em quadrinhos. Outra foi relacionada à prática do futebol. Pais e mestres combatiam estas duas atividades com métodos espartanos. Éramos vistos como “delinquentes”, que colocávamos os estudos em plano secundário por conta destas duas atividades “perniciosas”.

O fato é que a minha geração venceu e superou aquela mentalidade.

Com o futebol foi mais fácil, principalmente depois que o Brasil se tornou bi-campeão mundial, e também com o aparecimento de Pelé, que empolgou a todos.

Mas, mesmo com as pesadas restrições, jogávamos bola o tempo todo. Quando não estávamos em aula a bola corria solta. Jogávamos nos pátios da escola, nas ruas e praças, nas entradas de garagem, nos terrenos baldios, etc. Nos anos sessenta do sec. XX existiam pouquíssimos campos de futebol em Feira de Santana, os poucos que existiam eram de terra batida. Até o campo do Estádio Municipal não tinha gramado.

TRÊS CAMPOS DE BOLA SE DESTACARAM.

Um foi na praça Dom Pedro II, a praça do Nordestino. Ali o canteiro central era de terra batida sem árvores, e usávamos como campo. Quando o número de jogadores era pequeno fazíamos dos bancos de alvenaria a marcação do gol, sem goleiro. Este campinho tinha a inconveniência da proibição do jogo de bola, que era uma determinação das autoridades daquele tempo. Os guardas municipais tinham autorização de tomar a bola. Este impasse foi resolvido logo, usamos a interferência das moças que trabalhavam em nossas casas. Os guardas sempre paqueravam ou namoravam aquelas meninas, então com a colaboração delas conseguimos sensibilizar os guardas a tolerar o nosso esporte naquele lugar; alguns deles se tornaram nossos colaboradores.

Outro sítio que se tornou um bom campo de bola foi a área situada nas margens da lagoa do Prato Raso, no bairro da Queimadinha. Área plana e com uma relva natural de capim-grama estrela. Era chamado de “gramadinho”. Tinha grandes vantagens com poucos problemas. Era de tamanho grande, sem construções, ou rua, por perto. Nos períodos chuvosos, o piso ficava um pouco enlameado, mas não comprometia a prática.

Nos dias próximos à feira do gado, era costume a passagem de rebanhos de animais. O que nos obrigava a parar o jogo. Às vezes os animais, além dos rastros deixados, “sujavam” toda a nossa “cancha”. Mas logo após estas pequenas interrupções, retomávamos com o entusiasmo redobrado  a nossa prática e no aperfeiçoamento das nossas habilidades de craque.

Outro “campo” que se destacou foi um que organizei na chácara, onde passei a morar na periferia da cidade. Terraplenamos uma área, fincamos duas traves e jogávamos bola todos os sábados e também nos domingos. Ali eu jogava bola sem parar, afinal era o dono do campo e da bola. Eu não era mais um fútilboy. Em todas as formações de time eu era escalado.

UM CRAQUE DE BOLA.

Fui um jogador mediano, com certo brilho. Joguei muito no meio de campo, e fazendo a função de volante. Sempre pelo lado direito, ou no “miolo”. Apoiava o ataque e, por isto mesmo fui um “goleador” razoável, não era muito constante, mas também nunca ficava grandes períodos sem fazer gol. Me lembro até hoje de três inesquecíveis “golaços” que fiz: um de meia-bicicleta, outro com um toque de calcanhar que desloquei o goleiro, e um com um chute calibrado de fora da área. Se Pelé tivesse a oportunidade de ver a elaboração destes gols, teria ficado com inveja.

Futebol é isto:

 

É fantasia.

É sonho.

É magia.

É paixão.

É Brasil.

...   onde os campos de futebol são eternos...

 

Feira de Santana, fevereiro de 2014.

Joaquim Franco

Com redação

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