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"Infância Perdida", uma obra emblemática, em exposição no MAC

Artes Visuais - 23/08/2017
Diogenes Oliveira: “Não tive minha infância perdida" - Foto: Divulgação

Quem vai ao Museu de Arte Contemporânea Raimundo Oliveira pode apreciar diversas obras expostas nas sete salas que o equipamento dispõe. Mas uma, em especial, desperta a curiosidade dos visitantes: “Infância Perdida”, de Diogenes Oliveira. A obra, produzida em 2011 para o Salão de Artes Regional promovido pela FUNCEB em Valença, BA e doada pelo próprio Diógenes ao MAC, expressa a inquietação do autor com a desigualdade social, o trabalho infantil, o sofrimento, a exploração e a humilhação, característica que se reflete em diversas criações de Diógenes, muito inspirado pela realidade que visualizava ao seu redor.

“Aqui na cidade de Teofilândia (Bahia) tem uma pedreira no Povoado do Berreiro e de vez em quando via crianças quebrando pedras, usando pequenas marretas, e isso me incomodava”, revela. “Infância Perdida” se faz então como uma mescla de pontos de vistas do autor sobre o mundo, que inclui elementos de sua infância até a vida adulta. A exemplo de uma bicicleta, que se encontra acoplada ao quadro.

“Não tive minha infância perdida, porque meus pais, graças a Deus, colocaram alimentos na nossa mesa, mas eu não tinha uma bicicleta. Porém tinha amigos que possuiam, e todos os dias eu saia para brincar, basicamente "implorava" para dar uma voltinha, e quando conseguia, pronto, a felicidade não cabia em mim”, relata Diógenes.

Questionado sobre quem seria “Quimca”, indicado como dono da bicicleta acoplada ao quadro, o autor diz ter sido “um nome sugestivo, imaginário, de ampla abrangência”, uma representação do nome de filhos de pais pobres. “Jamais o filho do rico teria um apelido de Quimca”, refletiu Diógenes, que completou: “Além de que normalmente o pobre costuma escrever o próprio nome em seus poucos bens. Como se essa ação tivesse influência para evitar o furto”. 

Anos mais tarde, a inquietude do autor transcendeu as artes visuais e passou a ser expressada em poesia. De acordo com ele, a transição foi consequência de um abalo, da não compreensão de onde vinha tantos incômodos. “Ou eu escrevia ou ficava triste, fechado dentro de mim mesmo. Mas essa mudança não foi permanente, tipo, “nunca, mais pintarei ou farei artes plásticas”, foi um surto, uma ância. Em três meses escrevi aproximadamente 100 poesias, frases”, revelou.

Os escritos de Diógenes podem ser encontrados no site “Recanto das Letras”. Hoje o artista trabalha com artes em madeira em uma loja que abriu em Teofilândia/BA, a 94 km de Feira de Santana e não pretende voltar a pintar quadros. De acordo com ele, “não existe perspectiva de melhoras na cultura.”

O MAC é um dos dez equipamentos mantidos pela Fundação de Tecnologia da Informação, Telecomunicações e Cultura Egberto Tavares. Possui um acervo fixo quase 70 obras, mas por conta de seu caráter dinâmico, sempre são disponibilizadas novas exposições para visitação. Esta e outras obras podem ser apreciadas no MAC, na rua Geminiano Costa, nº 255, Centro, de segunda a sexta-feira.

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