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Sandro Penelú

Entretenimento ou amor ao caos familiar?

14/06/2018

A maioria das emissoras de TV do Brasil e do mundo estão unicamente preocupadas com o lucro fácil e imediato, tendo abandonado por completo o interesse em esclarecer, educar e promover a evolução mental de um povo tão carente de cultura e sabedoria.
Fazer as pessoas raciocinarem é um preceito que efetivamente não consta nas cartilhas da maioria das redes de televisão do país. Um povo esclarecido e consciente daquilo que quer representaria um perigo iminente para os próprios objetivos capitalistas dessas redes. Melhor, para eles, é uma população assim: contando as horas para ver uma novela e ali alijarem-se de suas próprias vidas para viver um irreal que nada acrescenta ao raciocínio; ao intelecto.
As famosas “novelas das nove” vêm mostrando à família brasileira o caminho da degradação humana, a partir de cenas fortes, pesadas, que adentram as casas, sem pedir licença, pois, repito, somos vítimas da dominação.
O país assiste, incrédulo, a pessoas que se entregam às novelas como se estas fossem o maior entretenimento cultural da Terra, no fundo apenas alimentando a anti-cultura e a falta de raciocínio pleno, vivendo cada uma das cenas deprimentes ali mostradas, sem entender o quanto prejudicam a formação moral e ética de cada membro da família.
Quando a própria literatura começou a ter em seus cânones nomes como o de João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Lima Barreto, Euclides da Cunha, Aluísio Azevedo e o grande mestre Machado de Assis, o homem começou a extrair do irreal uma leitura da vida e, por extensão, do próprio homem.
Hoje, com o advento da televisão, os livros vão ficando cada vez mais empoeirados nas estantes das livrarias. Liga-se um botão e o ridículo toma conta dos nossos lares e de nossas mentes.
Programas sem a mínima criatividade ou razão de ser, como o Big Broder Brasil, por exemplo, prendem o telespectador a uma farsa paupérrima e ridícula. Pessoas comuns, como qualquer um de nós, ali não são elas mesmas. Passam a representar um tipo, afinal está em jogo mais de um milhão de reais. Deixam rolar picuinhas sem sal e sem açúcar. Coisas que não levam a lugar algum e, repito, nada acrescenta ao intelecto de quem assiste.
Enquanto isso, do lado de cá da telinha, milhões de pessoas que poderiam estar evoluindo fazendo outra coisa, (lendo um livro, por exemplo) vão ficando cada vez mais atrofiadas mentalmente e, em conseqüência, sendo dominadas, conduzidas e exploradas.

Sandro Penelú