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Sandro Penelú

O ponto de partida

03/05/2018

Ao visualizarmos o Universo, de chofre uma pergunta vem a nossas mentes irrequietas: seria tudo isso realmente infinito, sem fim, imensurável, imperceptível ou teria tudo isso um fim, um limite, uma espécie de barreira? E se assim o for, o que haveria do outro lado? Um outro universo? Uma continuação? Mas, assim sendo, essa continuação seria, portanto, parte do próprio Universo e chegaríamos à qualificação de infinito.
E se depois dessa suposta barreira houvesse o nada? Mas, afinal o que seria o nada? Seria o espaço desprovido de astros e totalmente silencioso? Essas perguntas atordoam os nossos espíritos e ferem mais que as tinta e nove chicotadas que eram utilizadas pelos romanos da época do Cristo para açoitar os subversivos e criminosos.
A própria vida humana não escapa a essa visão do infinito ou não. Dentro destas duas perspectivas, enquanto finito seríamos uma espécie de cobaia de um outro ser mais perfeito e, muito provavelmente, indestrutível, imortal. Ganharíamos consciência passageira e destrutível juntamente com o corpo denso e viveríamos, portanto, a eterna ilusão de que somos seres imortais, apenas desempenhando o nosso mero papel de fantoches do Universo.
Já numa outra perspectiva, enquanto seres infinitos, no que concerne à essência plena, encontraríamo-nos como seres cuja consciência transcendesse a todo tipo de destruição e de ataque, afirmando-nos como pequenos deuses ou seres que nunca morrem.
Instintivamente, o ser humano traz dentro de si esse sentido de ser infinito, na essência, e a própria morte lhe abala apenas enquanto ausência profunda, como se uma invisível voz interior lhe falasse a todo o momento que a vida não acaba jamais.
O ciclo desta vida, que se nos apresenta como eterna, remonta-nos ao próprio Cosmos onde tudo parece descrever continuamente uma espécie de círculo. Os cometas passam por aqui, seguem suas trajetórias e ao cabo de determinado número de anos, voltam a nos visitar. Seria então todo o Universo um círculo? Uma espécie de bolha de proporções nunca jamais imaginadas pela mente do homem? Quem poderia contestar ou ratificar este pensamento? Os filósofos? Os cientistas? As religiões?
Voltamos, portanto, ao ponto de partida. Se o Universo for esse imenso círculo, o que haveria além? Se ele for um círculo e houver algo depois da “redoma”, este algo seria a continuação do mesmo e, portanto, ele seria infinito.
A ciência fala do Big bang, a explosão que teria gerado tudo. Ora, se somos fagulhas esvoaçantes de uma gigantesca explosão, a tendência dos corpos celestes seria a de continuar sempre sendo impulsionados para frente e a força do movimento circular dos astros não teria a mínima razão de ser. E, só pra variar, voltamos de novo ao ponto de partida...

Sandro Penelú