A vendinha de Seu Raimundo » Sandro Penelú - Caneta Afiada » Infocultural
Sandro Penelú

A vendinha de Seu Raimundo

28/04/2018

Seu Raimundo é apenas mais um micro comerciante que montou, ao lado da sua casa, uma pequena mercearia, onde pôs de tudo um pouco. Ali, ele vai vendo quotidianamente a chegada dos vizinhos com seus carrões chiques, que nos finais de semana, ou de mês em mês, chegam com o bagageiro empanturrado de provisões embaladas em sacos que parecem não acabar mais.
Vez por outra, os filhos dessa burguesia compram na sua vendinha chicletes ou balas, sempre pechinchando e chorando por uma a mais.
Os filhos de Seu Mundinho, como é conhecido no bairro, quase sempre vão a pé para a escola.  O dinheiro é curto, a aposentadoria mal dá pra comprar o pão de cada dia. Os garotões da vizinhança passam por eles, muitos dirigindo seus próprios carros, som ligado no último volume – quase um mini trio elétrico – sem ao menos lhes dedicar um aceno sequer.
Porém, há um momento em que a burguesia corre aflita para o socorro do velho Mundinho... É quando falta o açúcar, a farinha, o café. Aí as empregadas, por ordem de suas patroas, correm até a sua modesta mercearia, munidas de um bilhetinho no qual se pode ler: “Seu Raimundo, por favor, despache um quilo de açúcar que depois eu pago”.
Seu Raimundo já está acostumado com o mundo. Já viveu o suficiente para entender muita coisa; para entender que aquele débito levará muito tempo para ser quitado, afinal quem tem dinheiro tem coisas mais importantes para fazer. Não vai se preocupar em pagar uma pequena conta na vendinha da esquina.
Se Seu Raimundo tem ou não dinheiro para repor o seu pequeno estoque, isso é problema exclusivamente dele. Ele que se vire e dê um jeito. E assim, com esse pensamento inconsciente, os vizinhos de Seu Mundinho continuam a circular com seus caros carros, os filhos do pequeno comerciante continuam indo a pé para a escola, as empregadas continuam a trazer os bilhetinhos de suas patroas e a vida – a incógnita vida – continua a mesma...


x.x.x.x

 *REMÉDIO PRA FECHAR A BOCA - Cadialina, esse foi o medicamento indicado por um médico para uma dona de casa de Salvador combater dores no fígado e conseguir emagrecer. A paciente, de 33 anos, diz que, ao perguntar sobre onde encontraria o remédio, o médico recomendou que ela procurasse um ferreiro e comprasse seis cadeados. (Cá, cá, cá, cá!) Um para a sua boca, outro para a geladeira, outro para o armário, outro para o freezer, outro para o congelador e outro para o cofre de casa. (Cá, cá, cá, cá!)

 *JEITO ESTRANHO DE MATAR SAUDADES - Um jovem tailandês, de 22 anos, furtou o crânio do próprio pai. Ele invadiu o cemitério, revirou o túmulo e pegou os restos mortais do seu genitor, que morreu há um ano. O rapaz confessou o furto e relatou aos policiais que pegou os restos mortais do pai porque sentia muitas saudades dele.

Sandro Penelú