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André Pomponet

Composições eleitorais na Bahia caminham para definições

27/06/2018

No início da semana finalmente foi divulgado aquilo que todo mundo já sabia: Ângelo Coronel (PSD) vai ser um dos candidatos ao Senado na chapa do governador Rui Costa (PT). Completam o time – virou moda as referências futebolísticas no cenário político – o vice-governador João Leão (PP) e o ex-governador e ex-ministro Jaques Wagner (PT), que também é candidato ao Senado. Todos homens, brancos e ricos. Em tempos de valorização da diversidade – inclusive de gênero – a composição soa muito tradicional, conservadora até, por mais que os petistas recusem o rótulo.
A atual senadora Lídice da Mata (PSB) foi rifada e o PC do B – tradicional aliado petista – também. Não foi à toa que dirigentes das duas legendas fizeram críticas públicas, expondo o descontentamento com o perfil da chapa e com modus operandi adotado na definição dos indicados. Mas, romper com o petismo – pelo menos formalmente – ninguém se dispôs. Pelo menos até aqui.
Do imbróglio, quem emergiu como eminência parda da composição foi o senador Otto Alencar (PSD), que bancou a indicação de Ângelo Coronel. Ambos, aliás, integravam o chamado grupo carlista, capitaneado pelo falecido senador Antonio Carlos Magalhães, que morreu em 2007. Mudaram Alencar e Coronel ou mudou o PT? É uma questão candente, mas não dá para não atribuir ao petismo, pelo menos, uma exagerada dose de pragmatismo.
Pelo visto, no plano baiano, o petê arrematou sua costura política. Resta o quiproquó envolvendo Lula, preso em Curitiba há mais de dois meses. Principal liderança da legenda, o ex-presidente é determinante no sucesso eleitoral do partido, inclusive na Bahia. Caso fique de fora, certamente haverá prejuízos que só poderão ser dimensionados depois das eleições de outubro.
Oposição
As expectativas, agora, se voltam para a finalização da principal chapa da oposição, capitaneada pelo ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (DEM). Há meses – a indicação foi sacramentada em abril, após a desistência do prefeito soteropolitano ACM Neto – que borbulham especulações sobre quem vai compor, junto com José Ronaldo e Jutahy Magalhães (PSDB), a chapa da oposição.
Nomes são lançados a todo momento, num turbilhão especulativo que atende mais à necessidade de gerar manchete que, propriamente, a refletir as conversas que vão se avolumando. O deputado federal Irmão Lázaro (PSC) e a vereadora de Salvador Ireuda Silva (PRB), negros e evangélicos, são os nomes mais intensamente especulados até aqui. Mas, pelo jeito, não existe nada concreto até aqui.
Enquanto isso, o ex-prefeito feirense mantém uma agenda intensa de viagens pelo interior da Bahia. Percebe-se que se movimenta com discrição, conforme é seu estilo político. Talvez esteja aguardando maior clareza no cenário político – local e nacional – para avançar em direção às tratativas finais de sua chapa. Os próximos dias confirmação – ou não – toda a especulação sobre nomes.
Incertezas nacionais
É inegável a vantagem relativa do governador Rui Costa na sucessão estadual. Afinal, está no exercício do mandato e pesquisas lhe atribuem ampla aprovação da população. Para completar, foi favorecido pela surpreendente desistência do prefeito de Salvador, apontado como nome certo na corrida sucessória. Mas, em função das incertezas do cenário nacional, é preciso cautela para avaliar a sucessão baiana.
O confuso quadro político nacional vai influenciar, em alguma medida, as escolhas dos eleitores baianos para governador? É possível, mas não dá para dimensionar no momento. Lula provavelmente será descartado, a liderança hoje cabe a Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e os candidatos apontados como de “centro” não conseguem decolar. No meio do salseiro, movimentam-se Marina Silva (Rede-AC) e Ciro Gomes (PDT-CE), como incógnitas.
Em suma, chega-se às vésperas do mês de julho com amplas indefinições, com o cenário político inteiramente imprevisível. Faltam, a partir de agora, pouco mais de três meses para as eleições. Será o momento mais tenso do ano, num país que vive profundas tensões políticas há, pelo menos, quatro anos. 

André Pomponet